Nossas Pesquisas

Nossos Argumentos de Pesquisas

Nosso argumento inicial, é que a criança é ser sociocultural, histórico, como vem sendo alardeado nos discursos contemporâneos, contudo também é geográfico, assim como é geográfico seu processo de humanização, seu ser e estar no mundo.
Disso desdobram-se dois outros argumentos fundamentais: o primeiro é que o espaço é uma dimensão significativa nos estudos que buscam colocar as crianças como sujeitos protagonistas nas sociedades em que vivem; o segundo é que a forma como nós, individual ou socialmente, concebemos a espacialidade e suas categorias (tais como território, lugar, local, região...) interferem nas normas formas de ver, compreender, agir com as crianças e na produção de suas infâncias.
Utilizando como referências os estudos histórico-Culturais (Vigotski e seus colaboradores) nossas pesquisas buscam compreender as relações que as crianças estabelecem com os espaços, mediadas por suas interações culturais.

Desenhando Conceitos em Geografia da Infância

A infância como Território ou os Territórios de Infância:
“A infância se dá num amplo espaço de negociação que implica a produção de culturas de criança, de lugares destinados às crianças pelo mundo adulto e suas instituições e das territorialidades de criança, resultando desse embate uma configuração a qual chamamos territorialidades infantis”
Paisagens de Infâncias:
“No campo da infância a paisagem aparece como uma força reveladora, pois as sociedades, ao reservarem um lugar social para suas crianças, criam formas, elaboram artefatos que materializam as concepções de infância pré-existentes nesse contexto social, construindo o que denominamos ‘paisagens de infância’.
O acesso aos diferentes estratos dessas paisagens torna possível cartografar, não só as concepções de infância que foram sistematizadas ao longo de sua produção - e se constituíram como formas no espaço – como também, nos possibilitam acessar os diferentes agentes que a produziram, inclusive a participação (ou não) das crianças nesse processo.”
Os “Territórioslugares”:
“Para as crianças, a prática espacial é uma prática de ‘territoriolugar’, já que apreendem o espaço em suas escalas vivenciais, a partir de seus pares, do mundo adulto, da sociedade em que se inserem."


Os "Territórioslugares": achados de campo

"Na constituição dos ‘territórioslugares’, podem-se perceber a presença das seguintes situações:

a) a vivência do espaço como interação, como processo e não como palco, local de passagem ou superfície ocupada; o espaço não é concebido como métrico, como extensão, mas como intensidade;

b) a presença de processos de subversão do espaço, de ir contra o instituído; o reconhecimento de espaços tidos como proibidos, mas muitas vezes acessados a partir de suas encontros com os pares;

c) nos processos de subversão da ordem previamente instituída, estão presentes não só o acesso ao espaço vedado, mas também na forma original dos objetos, nos artefatos de infância e nas maneiras como são utilizados, como os brinquedos presentes nos parques, nas praças e em outros locais, que geralmente fogem ao padrão inicial; sua função primária;

d) o conhecimento da comunidade de criança, do sentimento de identidade e pertença, que faz a separação delas com os demais grupos sociais, na medida em que existem artefatos, locais, movimentos que são típicos de crianças, reconhecidos e nomeados por elas;

e) uma grande capacidade de abstração das crianças, de uma invenção produtiva, que difere das anteriores, pois essas criam, a partir do espaço e dos artefatos aí presentes, situações, objetos, coisas, nomeações;

f) na vivência do espaço as crianças não estão construindo outros espaços dentro do espaço, elas estão produzindo uma espacialidade não existente.

g) nesse processo, elas experimentam a sensação de lugares, de territórios.Sejam espaços dados, vedados ou “entre”, o que as crianças vivenciam em suas interações com outras são as multiplicidades de possibilidades do uso desse espaço. Isso não nega momentos de conformidade, de aceitação de arranjos pré-existentes.

h) Mesmo nascendo ou chegando a um espaço previamente elaborado, dado, o momento inaugural, autoral está sempre presente, o que possibilita a reescrita constante de nossas paisagens terrestres.”
(Fonte: Pesquisas: Crianças na Paisagem-Palavras e Processos Espaciais e Crianças na Paisagem- Estratégias de apropriação, produção e re-configuração do espaço/CNPq/CAPES/UFF/INEED)

Pesquisas Atuais

 O ser e estar de Bebês em berçários: Estudos inter-institucionais
Coordenação: Jader Janer Moreira Lopes/UFF e Daniela Barros da Silva Freire Andrade/UFMT
Financiamento: CAPES/PROCAD NOVAS FRONTEIRAS
Período: 2010 a 2014

Resumo:

Esse projeto é fruto de uma parceria entre os Programas de Pós-Graduação em Educação (Mestrado e Doutorado) da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Federal do Mato Grosso, no âmbito do PROCAD Novas Fronteiras: caminhos para a consolidação da pesquisa no Centro-Oeste, com financiamento da CAPES (Nº Projeto: AUXPE PROCAD 766/2010.)

A partir dos grupos de pesquisas situados no interior de cada programa, o Grupo de Pesquisas e Estudos em Geografia da Infância/GRUPEGI e o Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância/GPPIN, sob a coordenação dos professores Jader Janer Moreira Lopes (UFF) e Daniela Barros da Silva Freire Andrade (UFMT) respectivamente, pretende-se contribuir com esses recentes estudos no âmbito da infância, mas com um recorte específico: a pesquisa com bebês em berçários.

Apesar de ter ampliado os trabalhos com crianças no Brasil e no mundo, pesquisas com e sobre bebês ainda são escassas no país, poucos pesquisadores da área de infância tem se dedicado a esse momento da vida humana.

Escritos recentes (Tomasello, 2003; Stern, 1992, 1998 entre outros) tem apontado para pensarmos a relação dos bebês com o mundo de forma diferenciada, afastando-se das leituras marcadas por sua condição biológica, onde a maturação tem sido o caminho do desenvolvimento, em etapas fixas, universais, propõem um olhar para a ralação interpessoal dos bebês humanos desde os primeiros meses de vida, suas competências sócio-cognitivas, suas diversas linguagens, eventos constituídos ao longo da filogêsene humana que evidenciam uma ontogênse singular, demarcando nossas diferenças para os demais primatas.

Nesse aspecto, esse projeto tem por objetivo compreender a presença, o “ser e estar” de bebês em espaços institucionais de Educação Infantil. Apresenta intencionalmente um caráter amplo como forma de poder abrigar diferentes subprojetos ao longo do sua construção: iniciou-se em 2010, a partir do estabelecimento de parcerias entre os grupos e pesquisadores já citados e desdobra-se em ações até 2014.

A pesquisa irá ocorrer inicialmente em três cidades: Juiz de Fora-MG, Niterói-RJ e Cuiabá-MT, utiliza-se de estratégias de natureza qualitativa e das metodologias utilizadas nas pesquisas com crianças, calca-se nos pressupostos teóricos da perspectiva histórico-cultural constituída por Vigotski e seus colaboradores e nos contemporâneos estudos sobre o desenvolvimento humano.

                 Pesquisas de componentes do GRUPEGI

Pesquisas de Doutorado em desenvolvimento: 

- A Teoria Histórico-Cultural e a Pedologia: Claudia da Costa Guimarães Santana
- Cartografia Escolar: História e Ensino: Daniel Luiz Poio Roberti.  
- A concepção de Espaço e a Educação Infantil: Marcos Suel Zanette.
- Crianças e tecnologias geo-espacias: katherine Cilae Bendicit.
- Éducateurs de jeunes enfants dans le prive et le public en France et au Brésil : quel rapport au travail ? Silvia Valentim. Pesquisa em conjunto com o professor Gilles Monceau - Université de Cergy-Pontoise.

Pesquisas de Mestrado em desenvolvimento:

- Bebês e interações espaciais nos berçários: Ana Paula Gomes Cuzziol.
- Cartografia com Crianças: o que elas representam de suas vivências locais? Reinaldo Lima. Crianças.
- Crianças e Globalização: Ricardo Amorim Florio. 

- O olhar dos discentes de Pedagogia da Universidade Federal de Juiz de Fora sobre a alfabetização geográfica
Coordenação: Tânia Regina Peixoto da Silva Gonçalves
RESUMO

Esta pesquisa é um desdobramento da pesquisa de Mestrado em Educação realizada no Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora no período entre 2011 a 2013 intitulada “Alfabetização geográfica: o olhar dos educadores geográficos de universidades públicas brasileiras ” pela mestranda Tânia Regina Peixoto da Silva Gonçalves com a ( co) orientação do professor Dr. Jader Janer Moreira Lopes.

Desde pesquisas anteriores ponderamos sobre a importância dos educandos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental estarem envolvidos com saberes e habilidades geográficas desde o início do seu processo de escolarização nesse segmento de ensino.

Percebemos que a temática “Alfabetização Geográfica“ tem uma enorme lacuna com relação a pesquisas acadêmicas no âmbito da Geografia’ escolar. Dessa forma, essa pesquisa é uma forma de continuarmos o diálogo acerca dessa temática com os pesquisadores e educadores dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

O objetivo, nessa nova pesquisa, “O olhar dos discentes de Pedagogia da Universidade Federal de Juiz de Fora sobre os movimentos da alfabetização geográfica”, é desvelar como os discentes do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Juiz de Fora, concebem a alfabetização geográfica.
A escolha metodológica, baseia-se em uma pesquisa interpretativa fundamentada teórica e metodologicamente na teoria enunciativa da linguagem de Mikhail Bakhtin (2003) e no diálogo com as concepções acerca da investigação em educação de Robert Bogdan e Sari Biklen (1994). Para tal, desenvolvemos como estratégia de pesquisa as entrevistas dialógicas. Para o trabalho de campo, trazemos como sujeitos de pesquisa, discentes dos cursos de Pedagogia da Universidade Federal de Juiz de Fora.


Pesquisas Concluídas 

Produção do território brasileiro e produção do território de infância: por onde andam nossas crianças?
Resumo:
Na produção dos espaços, as convergências e divergências de diferentes grupos presentes na sociedade concretizam diversos territórios. Os territórios têm, assim, em suas constituições um caráter semiótico na medida em que se estabelecem como símbolos, e devem ser analisados como uma teia de significados que, ao ser construído por um determinado grupo social, também o constrói. Esse processo implica demarcações de alteridades e organização de fronteiras, constituindo limites entre diferenças, o que torna possível o processo de territorialização e de identificação. Partindo da concepção de que toda criança nasce num certo momento histórico, num certo grupo cultural, num certo espaço-tempo de onde estabelece suas interações sociais e constrói sua identidade, pode-se inferir também que toda criança é criança em alguns locais dentro do local, pois esse mesmo mundo adulto destina diferentes parcelas do espaço físico para a materialização de suas infâncias. As crianças, ao apropriarem-se desses espaços e lugares, reconfiguram-nos, reconstroem-nos e, além disso, apropriam-se de outros, criando suas territorialidades, seus territórios usados. A infância, portanto, se dá num amplo espaço de negociação que implica a produção de culturas de criança, de lugares destinados às crianças pelo mundo adulto e suas instituições e das territorialidades de criança, resultando desse embate uma configuração a qual chamamos territorialidades infantis. A Geografia da Infância é o campo de reflexão de todas essas dimensões. Ela não se reduz apenas a cartografar o modo de vida das crianças nos diferentes espaços, sua principal característica é trazer a tona à impossibilidade de falar de infância sem identificar na produção desta o imbricamento com a questão da produção do espaço, dos lugares e territórios. Ao partirmos da perspectiva que os territórios de infância são espaços de conflitos e embates de diferentes forças sociais que buscam coabitar as crianças para suas áreas de atuação, estamos afirmando que essas interações sofrem rupturas, modificações e novas aproximações na medida em que ocorrem novos re-arranjos no espaço-tempo das sociedades. É nessa perspectiva que buscamos compreender como os territórios de infância estão se configurando em tempos de uma nova organização do capital. Quais os projetos de infância dos diferentes agentes que produzem os espaços e como as crianças dialogam com essas perspectivas? O seu objetivo central dessa pesquisa é buscar compreender e mapear os territórios de infância e suas interfaces com a produção do espaço brasileiro, a partir da ótica dos diferentes agentes produtores do espaço e na de ótica das próprias crianças, que também são, elas mesmas, agentes nesse processo. O período que estamos privilegiando é aquele que se inicia nos anos 80 a partir das novas ordenações mundiais. Estaremos trabalhando com gestores do estado (projetos e políticas públicas) e a partir dela pretendemos alcançar os demais agentes, para finalizarmos com olhar das crianças. Para o desenvolvimento da pesquisa foram escolhidos as cidades de Niterói, Santo Antônio de Pádua, localizadas no estado do Rio de Janeiro, e Juiz de Fora, situada na Zona da Mata de Minas Gerais. Num primeiro momento estamos trabalhando com a confecção de mapas, tendo como referência central a observação direta dos pesquisadores. Esses mapas permitirão cartografar os principais locais onde as crianças se encontram e concentram nessas cidades .

Agencias financiadoras: PROPI/UFF - FAPERJ
Crianças na paisagem: estratégias de apropriação, produção e re-configuração do espaçoResumo:
Esse projeto tem por objetivo central buscar compreender as ações e estratégias das crianças na produção, sistematização e organização do espaço e na sua re-configuração como territórios e lugares, na composição de suas culturas de infância. Aproxima-se assim, dos estudos mais contemporâneos sobre as crianças, que as vêm como sujeitos ativos, espacialmente e temporalmente localizados e afasta-se da perspectiva de infância, que coloca as crianças como meros receptores das ações que constituem seus entornos. Para tal utiliza-se de estratégias de observação etnográfica em espaços institucionais de Educação Infantil.
Agencias financiadoras: PROPI/UFF – FAPERJ/CNPq

Crianças na Paisagem: Palavras e processos espaciaisResumo:
Esse projeto é fruto de desdobramentos de pesquisas anterior intitulada "Crianças na Paisagem: estratégias de apropriação, produção e re-configuração do espaço." Partindo do pressuposto que as crianças imprimem suas presenças nas paisagens, estabelecemos como foco de interpretação e análise a tentativa de compreender as práticas espaciais das crianças, suas estratégias de apropriação e produção do espaço. Nas observações coletadas nessa pesquisa percebeu-se a constante capacidade das crianças de estabelecimento de lugares e territórios. Os liames entre essas duas categorias geográficas foram muito estreitos, o que nos obrigou a utilizá-las a partir da sua fusão, ou seja, para as crianças a prática espacial é uma prática de lugar-território, já que apreendem o espaço em suas escalas vivenciais, a partir de seus pares, do mundo adulto e da sociedade em que se inserem. Porém as observações nos permitiram revelar uma vivência do espaço muito significativa para elas: em suas interações espaciais está presente a fala como forma de perceber e apreender o espaço em que vivem. Esse achado inaugura outra etapa desse projeto agora intitulado: Crianças na Paisagem: Palavras e processos espaciais e parte da seguinte questão: como a fala integra-se ao processo de construção e representação da noção espacial? Para tal foi escolhido uma escola de tempo integral que abriga crianças de 03 e 04 anos para o desenvolvimento da pesquisa, dar-se-á continuidade as estratégias etnográficas como forma de coleta de dados e representações (desenhos/mapas) confeccionados pelas crianças de seus espaços vividos.
Agencia Financiadora: PROPI/UFF – FAPERJ/CNPq

Crianças na Paisagem: espaços desconhecidos
Resumo:
Estabelecendo-se como a terceira etapa da pesquisa “Crianças na Paisagem” e fruto de desdobramentos das já citadas anteriormente, esse projeto incorpora ao título o tema Espaços Desconhecidos. O propósito agora é desvelar a vivencia das crianças nos espaços novos, até então não experienciados por elas. A origem desse novo olhar encontra-se nos dados já recolhidos até o momento, onde foram revelados lógicas próprias e ainda desconhecidas de ser e estar, muito evidenciadas quando se tratava de nesses espaços novos. Partimos do pressuposto que nos processos espaciais as crianças utilizam vivências ainda não apreciadas por nós adultos ou pelo menos nomeadas em nossos tradicionais léxicos ou taxionomia de experiências espaciais existentes. São formas que escapam de nossos olhares intepretativos, por ainda não termos como nomeá-los, o que dizer de uma criança que ao abrir portão da creche em que diariamente estava, sai correndo em disparada pela grama verde, corre e corre...quando lhe perguntaram o porquê de tanto movimento, ela respondeu: “É que tem essa grama toda (demonstrando com os braços além da fala todo aquele espaço) e as pernas da gente não consegue parar” ou de outras que categorizam uma parcela dos espaço de sua instituição como “lá longe” (referindo-se a um local com árvores não permitido para os adultos, localizado ao lado do parque onde brincam no horário do recreio). Essas inferências, ainda primárias, inauguram uma nova etapa de pesquisa e consolida esse projeto, cujo propósito central é compreender como as crianças vivenciam esses contextos espaciais novos e desconhecidos? Quais formas de vivencia, representar e nomear o espaço estão presentes no cotidiano das crianças e ainda são desconhecidos de nós adultos? Isso é possível, porque assumimos que falar em espaço ao nos referirmos às crianças, é falar na sua tessitura geográfica, uma vez que a criança não está no espaço, não está no território, não está no lugar, nem na paisagem; ela é o espaço, ela é o território, ela é o lugar, é a paisagem e, por serem produtoras de cultura e de geografias, enriquecem nossa condição humana.

Um comentário:

  1. Maravilhas informações para mim que trabalha com criança que foi abusada sexualmente.

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