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domingo, 8 de maio de 2011

Compartilhando Nota de Campo



Eis uma nota de campo enviada para ser compartilhada com todos.!
Nota de Campo
Local: CAIC de Linhares 
Autor: Efigenia Viana do Carmo

Não poderia deixar de relatar aqui o episódio ocorrido na manhã do dia 03/05/2011...
Estávamos eu e a professora de Ed. Física organizando as três turmas do 1º ano no refeitório para iniciarmos o recreio no campo... As crianças nos acompanharam naquele movimento de praxe: Empurra na fila, tropeça no colega, bebe o resto do suco, cata merenda da caixa... Excepcionalmente nesse dia uma aluna chorava com dor de garganta, o que me fez liberar os alunos para brincarem próximo ao parquinho enquanto a atendia..
Depois de encaminhar a aluna à secretaria notamos algo diferente no recreio, ao invés da corrida de sempre, os alunos se aglomeraram em torno de algo que, de onde nós estávamos, não dava para saber o que era.. 

Pensei: “Estão quietos demais..” 

Fui até eles. E estavam ali 52 crianças observando um monte de penas e partes de uma pombinha... Tirá-los de perto foi difícil, muita curiosidade.. Eu juntava dez de um lado, corria os outros 42 do outro e voltavam a "cena do crime..." Como não havia médico legista ou algum perito no local, chamamos 1 funcionária para recolher os restos mortais da pomba... Enquanto a professora de Ed. Física foi buscar uma funcionária, fui interpelada pelas 52 crianças a respeito do ocorrido.. Estavam consternados.. E todos queriam saber como a pomba morreu, onde estava o resto da pomba, cadê a cabeça, o que é gavião, se gavião come criança, que cor é, quantas pombas come por dia... Foram muitas perguntas, se eu estivesse no show do milhão teria sido arrasada, porque não tem neurônio matinal que agüente a argüição ininterrupta desses meninos..
 
E eu pensando: “Cadê a professora? Cadê a funcionária, eu não sei quantas pombas o gavião come por dia... Socorro!!!!!”

Respondida 90% das perguntas (os outros 10% eu pulei porque não sabia na hora, fiquei de pesquisar e responder depois) e retirados os restos mortais da pomba, feita toda a higienização do local,  nós liberamos os alunos para o recreio. Num primeiro momento todos ficaram procurando as outras partes da pomba... O que foi estranho... Não encontrando, se dividiram em brincadeiras variadas... Mas uma delas nos chamou a atenção:

Um grupo de crianças gritava: “Nós somos as pombinhas” e um dos alunos esticando a blusa como se fosse asas gritava: “Eu sou o gavião...” E saiam correndo gritando: “Eu sou a pombinha, o gavião quer me pegar..” E assim passaram todo o recreio brincando de gavião e pombinha... Quem inventou essa brincadeira? Sinceramente não sei. Mas que deve ter sido assim que surgiram brincadeiras como Corre cutia, Cobra cega, gato e rato... Há isso não tenho dúvidas! Ri muito! Não vou esquecer nunca!

VOCÊS SÓ ME DÃO ALEGRIA!!!!

sábado, 12 de março de 2011

Novo "logo" do GRUPEGI


O designer gráfico Tito Júnior inspirado numa das notas de campo recolhidas na pesquisa desenvolvida pelo GRUPEGI, desenhou um novo "logo" para o grupo de pesquisa, que será utilizado a partir de agora. Agradecemos muito. Tito Júnior possui diversos trabalhos conhecidos e foi responsável pelos logotipos dos I e II GRUPECI (ver nessa página em históricos de eventos). 
Contatos: tito-jnr@hotmail.com

Eis a nota que inspirou a construção da desenho:


Local: espaço escolar após a aula, as crianças estavam esperando os pais e se deslocavam por todo o pátio da escola. Um escorregador de madeira era alvo de atenção de um grupo de 3 meninos e 01 menina, idades aproximadas de 6 anos. As crianças subiam pela rampa, no sentido contrário ao da escada. Perguntei:
-              O que vocês estão fazendo?
-              Subindo o escorregador. Um deles respondeu.
-              Mas por aí? Indaguei.
-              A gente consegue! Outro me disse.
-              Posso tentar também? Perguntei.
-              Não, você não pode – disse um dos meninos.
-              Por que não?
-              Você é criança? Outro me perguntou.
-              Não, mas acho que consigo! Respondi.
-              Então não pode.
-              E qualquer criança pode? Perguntei.
-              Claro que pode, se conseguir né.
-              E por que subir por aí?
-              É que aqui a gente usa as pernas e os braços.
-              Mas na escada também.
-              Na escada não, só as pernas!
(Fonte: LOPES, Jader Janer M. É coisa de criança in VASCONCELLOS, Tânia de. Reflexões sobre infância e cultura. Niterói; EDUFF. 2009)